Não é pouca coisa
Opinião

Não é pouca coisa

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Por Paulo Porto

Passados dez anos do início da experiência bolivariana na Venezuela, Hugo Chávez se elegeu presidente em 1998, é necessário fazer uma avaliação mais objetiva dos resultados deste período, distante da parcialidade da imprensa nacional. Para a grande maioria dos órgãos de massa, Chávez não passa de um “fanfarrão” (Veja), “demagogo com tons autoritários” (Folha) e um “populista atrasado” (Estadão), não esquecendo do já famoso “inimigo do mundo livre” (CNN). No entanto, este “fanfarrão, populista e demagogo” vem ganhando seguidamente eleições após eleições, sendo sua última vitória o referendo da semana passada, que lhe permite se reeleger após o fim de seu segundo mandato. Nesse sentido vale a pena apresentar alguns dados que, de maneira inexplicável, são reiteradamente omitidos e falseados pela grande mídia, números que nos ajudam a entender estes dez anos de Chávez, e, de sua popularidade junto à classe trabalhadora venezuelana.
Nesta última década o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) que reúne um conjunto de medidas que vão desde a taxa de alfabetização a expectativa de vida, subiu 0,5 pontos, saltando de 0,77 para 0,82. A maior da história da Venezuela. Em 1998 apenas 44,7% das crianças em idade escolar se encontravam matriculadas, o ano escolar de 2005-2006 fechou com 60,6% de alunos em sala de aula, também a maior média da história deste país. O investimento do Estado para a educação subiu de 3,9 (ano de 1998) para 5,8 (ano de 2008). As maiores vitórias de Chávez no campo da educação vem sendo a taxa de 100% na educação básica (que antes era de 90%) e a erradicação do analfabetismo em território nacional. A UNESCO declara um território livre de analfabetismo a partir da taxa de 4%, pois, a erradicação absoluta é quase impossível, devido ao chamado limite de “analfabetos irredutíveis” (pessoas que resistem ao processo de alfabetização), entretanto a Venezuela chegou a incríveis 0,10% de analfabetismo. Um marco histórico em qualquer país do mundo.
Na área da saúde também existem avanços consideráveis, o percentual do PIB saltou de 2,3% para 4,2%, o acesso à água potável de 80% para 92% dos lares venezuelanos, a taxa de mortalidade infantil caiu de 24 para 13,7 para cada mil crianças nascidas vivas, graças a uma séria se ações preventivas, em especial, a campanhas massivas de vacinação. Nos aspectos econômicos, a maior vitória do governo Chávez se deu no combate a inflação, para facilitar a comparação iremos voltar aos governos anteriores: no governo de Jaime Lusinchi (1984 – 1989) a inflação beirou os 22,7%, no governo de Carlos Andrés Peres (1989 – 1993) chegou aos 44,2%, já no mandato de Rafael Caldera (1994 – 1999) bateu na casa dos 57,6%, no governo Hugo Chávez se encontra na média de 19,5%. A mais baixa das últimas décadas. Os números também são positivos em relação ao desemprego que caiu de 16% para 6,3%.
Porém, o maior avanço de Hugo Chávez vem sendo questão da distribuição de renda, relacionada diretamente com o controle estatal do Petróleo, que é a grande riqueza da Venezuela. Em virtude da nacionalização do petróleo e a conseqüente redistribuição de renda, a distância entre os pobres e os mais ricos da Venezuela caiu cerca de 10 pontos, isto significa que aproximadamente 30% da renda nacional está sendo redirecionada à população empobrecida. Uma renda que, até então, era abocanhada pela burguesia petroleira venezuelana.
Estes dados bastam para explicar o ódio visceral que as burguesias nacionais – e, por tabela as grandes mídias – possuem da experiência venezuelana. E, também nos explicam por que Hugo Chávez ganhou 14 das 15 eleições que disputou nestes últimos dez anos.


Paulo Porto é professor universitário.




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Por Paulo Porto Passados dez anos do início da experiência bolivariana na Venezuela, Hugo Chávez se elegeu presidente em 1998, é necessário fa