A mão de Luiz Fabiano, a encenação de Keita e nossos valores
Opinião

A mão de Luiz Fabiano, a encenação de Keita e nossos valores

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por Niltn Bobato

Muitos brasileiros até hoje contestam o título argentino de 1986 devido ao gol de mão de Maradona (a mão de deus) naquela final contra a Inglaterra, como muitos torcem contra a França pela ajeitadinha de Tierry Henry contra a Irlanda que levou os franceses a Copa da África do Sul.
Neste domingo, muitos protestaram contra a encenação do marfinense Keita que provocou a expulsão de Kaká, entre eles o técnico Dunga (que não hesitou em comemorar o gol com duas ajudas da mão de Luiz Fabiano).
Estes mesmos que protestam contra estas pequenas injustiças do futebol, principalmente locutores e comentaristas de futebol, apresentadores de televisão, repórteres, mais ufanistas do que o rei, não exitaram em saudar o gol de placa, com a ajudazinha da mão milagrosa do fabuloso, em propagandeá-lo como um feito.
Seria um gol de placa se fosse legítimo e seria só mais uma arte do futebol brasileiro, que merecidamente venceu os marfinenses (que se acovardaram e esqueceram do futebol), mas a partir de momento que somos capazes de comemorar um gol ilegítimo, de aceitá-lo como um ato de esperteza legítimo, passamos a entender que atos de esperteza possam ser legítimos também em outras áreas da vida, muito além do esperte.
Preocupa-me muito os noticiários e a repetição do gol de Luiz Fabiano como um feito pelo fato de ter ludibriado o juiz e aceitar isso como uma coisa absolutamente normal, mas ao mesmo tempo condenar Keita pela encenação que também ludibriou o juiz e expulsou Kaká. Dois valores, dois pesos.
Estes mesmos princípios que nos fazem condenar a corrupção na política, mas votar em corruptos ou trocar o voto por favores, aceitar ingenuamente furar um semáforo, estacionar em local reservado a idosos, furar uma fila, dar uma “gorjetinha” a um guarda de trânsito, etc, etc,...
É só pra pensar um pouco, enquanto comemoramos mais uma vitória em mundiais (merecida, repito).




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por Niltn Bobato Muitos brasileiros até hoje contestam o título argentino de 1986 devido ao gol de mão de Maradona (a mão de deus) naquela fina