Aula de Física e o Ônibus
* Luiz Henrique Dias da Silva
Meus alunos sabem: adoro definições. Sempre, nas primeiras aulas de mecânica, quando falo a respeito dos espaços percorridos pelos móveis, seja em movimentos uniformes ou variados, gosto de diferenciar as expressões físicas distância total percorrida e deslocamento. Tal diferenciação é fundamental para o aluno, uma vez que é uma constante “pegadinha” nos concursos e vestibulares. Tentarei explicitá-la rapidamente, apesar das divergências conceituais – e saudáveis – entre professores de ciências. Defino em aula distância total percorrida como a soma, algébrica, de todos os espaços executados pelo móvel. Deslocamento é o vetor que liga dois pontos (o inicial e o final). Complicado? Bom, facilito. Pense assim: você vai de uma cidade a outra de carro. Podemos pensar que o trajeto (com curvas, esquinas, desvios) é uma distância total percorrida. Se você for de avião (considerando um vôo em linha reta), teremos um deslocamento. Guardada as devidas proporções (e correções), é um jeito fácil de se entender a diferença.
Mas, ao que me parece, as pessoas que montam as linhas do Transporte Público de Foz fugiram dessa aula.
Na última sexta, fui até o terminal urbano com o intuito de deslocar-me até a Vila A. Um trajeto aparentemente curto, com um deslocamento de 3,89 km, segundo o Google Earth, ou de, no máximo, 5 km (aí seria uma distância total percorrida, mas ainda próxima do deslocamento) se feito diretamente do terminal até o local de desembarque, tanto pela Avenida JK quanto pela Avenida Paraná. Um trajeto que, considerando uma velocidade média de 35 km/h, poderia ser feito de 7 a 10 minutos, fora do horário de pico (era o caso, inclusive). O que vi, no entanto, foi um trajeto de - segurem-se na cadeira – 11,29 km! Quase o triplo do deslocamento reto (de avião) ou mais que o dobro do deslocamento por avenidas (de carro). Antes de chegar ao meu destino, fiz um city tour, passando pela catedral, Boicy, Avenida Paraná, Terminal Rodoviário e, enfim, Vila A. O ônibus ainda levava placas indicando ainda passar pela a Uniamérica, Unioeste, Itaipu e, após, Vila C. É o chamado “aproveitamento de linhas”. O resultado foi uma viagem de 32 minutos até meu destino.
Enquanto, no jargão do professores de física, não utilizarmos lógica de “aproximar o real do ideal”, ou seja, aproximar a distância total percorrida do deslocamento nas linhas do transporte, teremos que submeter nossos cidadãos a essas viagens gigantescas que custam tempo e paciência, além de produzirem uma boas brotoejas neste calor de Foz.
* Luiz Henrique Dias da Silva é escritor, ator, estudante de Arquitetura e Urbanismo e de Ciências Sociais, além de dar uma de professor de física por aí. Ele escreve em seu blog http://acasadohomem.blogspot.com . luizharq@gmail.com e @luizhdias.
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* Luiz Henrique Dias da Silva Meus alunos sabem: adoro definições. Sempre, nas primeiras aulas de mecânica, quando falo a respeito dos espaço