Fecharam-se as cortinas… Por enquanto!
por Nilton Bobato
Escrevi dias atrás e repito aqui: não imaginei que viveria para ver o que vi na semana que passou. O Festival de Teatro de Foz do Iguaçu foi um retumbante sucesso de público. Diriam: mas foram as peças da Mostra Nacional. Não, não foram somente as atrações da Mostra Nacional. Todos os espetáculos da Mostra Municipal, realizada durante as tardes, também receberam sempre um bom público. E mesmo entre as chamadas atrações nacionais não havia nenhuma do estrelato brasileiro, eram peças e atores desconhecidos do público local, exceto para alguns militantes do teatro.
Essa é a primeira grande vitória do Festival de Teatro, edição 2009: provou que a balela de que a cidade não tem público para o teatro e que é preciso apelar para atrair público, foi por terra. Assim como foi por terra a aposta daqueles que preferem não contribuir para o sucesso de um projeto como este. Não participam e se acham no direito de atacar quem tenta fazer. Mas também, parafraseando a parábola, os cães continuarão ladrando e a caravana continuará passando.
Há público nesta cidade para o teatro, para a cultura. Foram sete dias de lotação esgotada, foram sete dias de aplausos, de provar a mudança de um comportamento. Em vários espetáculos, pessoas não conseguiram entrar, não havia protestos por isso, voltaram para suas casas e no outro dia estavam lá, mais cedo, para garantir seu lugar. Várias famílias transformaram o festival no programa da semana, estavam todos os dias, todas a noites, se deliciando com aquele ambiente, com a performance dos atores e atrizes, com o papo após o espetáculo.
Só não estive num único dia e estive em três tardes. Uma semana digna de aplausos. Uma semana para parabenizar aqueles que fizeram chover para que o evento fosse o sucesso que foi, a equipe de Fundação Cultural (Juca, Shadia, Ana, Paulinho, Vera), da Associação Franco Brasileira (Moa), da Cia de Teatro Amadeus (Cláudia, Gustavo), Miró (Luiz, Mariana), a equipe do Boulevard (Eliane), o pessoal da minha assessoria (Mazé, Valtair) que ficou a disposição do evento os sete dias, além do apoio de sempre da Itaipu Binacional, da Casa Ofício, da Secretaria de Educação e da Secretaria de Turismo.
Fiquei extremamente feliz com o resultado do evento, realizado com pouco ou quase nenhum recurso financeiro, com a luta de vários que se deram as mãos e construíram um grande trabalho.
Digno de nota também a atuação da equipe de jurados, capitaneada pelo competentíssimo Givaldo, que premiou os melhores da Mostra Municipal, mas trabalhou e conversou com todos os grupos que se apresentaram, debateu os problemas, mostrou os caminhos, incentivou, deixando as portas e as cortinas abertas para novas experiências teatrais em nossa cidade. Todos os grupos, premiados ou não, estavam na cerimônia de encerramento, aplaudindo.
É assim que se contribui para constituir uma base para projetos culturais em nossa cidade. Com amplitude, seriedade, capacidade de atrair novos projetos, público e desenvolver sonhos.
Agora é construir caminhos para que projetos como este não se resumam ao Festival. Que os grupos continuem trabalhando, que os atores e atrizes continuem atuando, que os autores e autoras continuem escrevendo, que os diretores e diretoras continuem dirigindo e que o público continue prestigiando, aplaudindo...
TEATRO MUNICIPAL
Quanto a nós, vamos nos empenhar para aprovar o mais rápido possível o Sistema Municipal de Cultura, criando finalmente o Conselho Municipal de Políticas Culturais, o Fundo Municipal de Cultura e os instrumentos jurídicos para que se estabeleça em nossa cidade, finalmente, uma política pública de cultura permanente.
Vamos nos empenhar para que o projeto de construção de um Teatro Municipal, uma casa de cultura local, deixe de ser um sonho e se torne realidade. Na primeira quinzena de novembro teremos uma etapa importante deste trabalho, vamos reunir projetistas do Teatro Guaira, com o Movimento Pró-Construção do Teatro Municipal, representantes da Prefeitura e Itaipu Binacional.
O Festival provou que nossa cidade precisa, necessita de um espaço cultural público, maior, que abrigue os artistas, os projetos que estão sendo desenvolvidos na cidade, mas, acima de tudo que permita a aquelas centenas de pessoas, que diariamente não puderam ver uma peça de teatro por falta de lugar, possam prestigiar e interagir com o espetáculo.
Lembremos sempre: cultura deve ser tratada com a mesma prioridade que saúde e educação. Um povo culturalmente resolvido terá mais facilidades na escola e necessitará menos dos serviços de saúde, terá mais senso crítico, terá mais capacidade de entender os projetos que estão sendo desenvolvidos para Foz e atuará no sentido de construir e não destruir.
As cortinas serão reabertas em breve, para o sonho, para o futuro...
1 Comentários em Fecharam-se as cortinas… Por enquanto!
Luiz Henrique Dias da Silva
07/11/2009Vereador Bobato, o Sistema Municipal de Cultura já é uma realidade e nosso Teatro Municipal, citado no texto, é um sonho de grande parte dos moradores da cidade que, como eu, você e todos aqueles que da arte vivem (ou por ela vivem), acreditam no poder do teatro como arma de combate social, de inclusão cidadã e combate à todo tipo de descriminação de gênero, raça, credo, opção sexual e política. Parabéns pelo trabalho e boa sorte!