O livro eterno
por Sueli Brandão
Em uma época de intermináveis revoluções tecnológicas – onde aparelhos celulares ficam cada vez menores e os televisores cada vez maiores –, há um objeto que continua com seu design e utilidade inquestionável: o livro. Hoje, no Dia Nacional do Livro, há motivos de sobra para comemorar a sua longevidade e importância.
Um livro pode ser, aparentemente, apenas um emaranhado de papel adornado por letras. Nada de HDs com intermináveis gigabytes armazenados em pequenas fortalezas de silício. Mas, nas simples páginas de um livro, são transmitidas toda a sabedoria e conhecimento de autores como Machado de Assis, Dostoievski e Shakespeare. Antes do primeiro televisor ou rádio, milhares e milhares de pessoas sentavam-se na companhia de seus livros. E isso não mudou.
Mesmo com o advento do cinema, do rádio e da televisão, o livro continua a fascinar leitores de todas as idades. E se alguém acha que a literatura perdeu força entre os mais jovens, as vendas astronômicas da série Harry Potter mostram que o livro não foi esmagado pelos desenhos animados. Muitos desses pequenos leitores, que iniciaram sua jornada literária seguindo os passos do bruxinho, acabarão se tornando leitores maduros, fãs das obras-primas da literatura universal. A estrada que separa Harry Potter de James Joyce é mais curta e menos tortuosa do que muitos imaginam.
E o próprio cinema está longe de ser um inimigo da literatura. Quantos e quantos filmes não são baseados em livros? “O Poderoso Chefão”, de Francis Coppola, eleito seguidamente como o melhor filme de todos os tempos, é uma respeitável adaptação do romance homônimo de Mario Puzzo. O feliz casamento da literatura e cinema segue a todo vapor com grandes filmes como “Sobre Meninos e Lobos”, “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “O Leitor”.
Até mesmo a internet não pode ser vista como uma ameaça ao livro. Sites e blogs revelaram talentos literários que hoje estão sob o teto de respeitáveis casas editoriais. É o caso dos jovens Daniel Galera e Clara Averbuck, que se consagraram na internet e migraram para meios mais “conservadores” de publicação.
O emaranhado virtual de blogs de novos autores – alguns deles verdadeiras jóias que precisam ser descobertas pelo mercado editorial – continua sendo um irresistível ponto de visita para os amantes da literatura. Mas a bem-vinda possibilidade de ler boas obras na tela do computador não significa a aposentadoria dos livros.
Os livros digitais, já disponíveis do mercado, são uma grande invenção, sem dúvida. Perfeitos para leitores inveterados alimentarem seu apetite por letras em aviões, salas de espera e onde mais desejarem. Mas nada substituiu ainda a praticidade e a relação afetiva que as pessoas têm com os livros de papel, que nos acompanham onde quer que estejamos – e sem o risco de acabar a bateria no último capítulo!
Desde os primórdios, a humanidade tem uma relação de veneração com os livros. Na antiga Mesopotâmia, eles tinham a forma de tabuletas de argila, que cabiam confortavelmente na mão. Foi um longo caminho até os livros impressos por Johann Gutemberg, em 1455. Mas, não importa o formato ou material, o que nunca mudou foi a importância dos livros para as civilizações.
Mesmo que um dia o papel seja substituído por visores digitais, esses aparelhos provavelmente continuarão sendo chamados de livros. Do que mais poderíamos chamar esse velho e fiel amigo, que nos serve de portal e caminho para um templo de sabedoria?
*Sueli Brandão é presidente do Instituto da Cultura,Educação
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por Sueli Brandão Em uma época de intermináveis revoluções tecnológicas – onde aparelhos celulares ficam cada vez menores e os televisores