Obama: boas notícias e temores
por Nilton Bobato
Tentei fugir do tema “novo presidente dos Estados Unidos”, confesso que me incomoda o oba oba da imprensa mundial com Obama e estou entre aqueles que preferem esperar para ver. É claro que é simbólico e importante a eleição de uma pessoa com as características do Obama, a eleição de um negro para a presidência do Império, mas não creio que o establishment político norte-americano permita que qualquer presidente altere muito as regras do jogo que garantiram ao país mais de 50 anos de domínio absoluto do planeta a custa de muito sangue derramado nos quatro cantos da Terra.
O fato é que Obama começou o mandato bem, não é pouco notícias como o fechamento de Guantánamo e as prisões secretas dos EUA mundo afora (ainda é cedo para responder se os motivos são econômicos ou mesmo preocupação com os direitos humanos). Manteve o discurso de retirar as tropas do Iraque até o ano que vem e garante investimento em energia alternativa que retire o Império da dependência do petróleo (se isso for levado a cabo, também diminuirá a necessidade norte-americana de provocar guerras no Oriente Médio).
Mas, afora estas notícias positivas, algumas coisas mantêm os temores de que a relação internacional dos EUA continuará muito parecida com seus antecessores. Manterá o Afeganistão como está (ou seja, dominado), não deixou claro sua posição referente a questão Israel-Palestina, mas ela é de manter o apoio a Israel e tem todos os ingredientes (pelo seu discurso e posições tomadas logo após a posse) de continuar tratando os palestinos com o mesmo preconceito de seus precursores, além é claro dos interesses econômicos que envolvem o apoio a Israel e seus métodos.
Outro grande temor é que os EUA (por coincidência em governos democratas) sempre se valeram de grandes guerras para resolverem problemas econômicos caseiros. Foi assim com Roosevelt e seu New Deal idealizado por Keynes como a solução para a crise de 29 – os EUA usaram a segunda guerra mundial para vender armas e todo o material de reconstrução dos aliados europeus, o que gerou milhões de empregos na América do Norte, garantindo a construção do Império como ele é hoje. Foi também num governo democrata famoso (Kennedy) que começou a guerra do Vietnã.
Juros e crise
O Banco Central finalmente começou a baixar os juros, mas eu continuo suspeitando dos reflexos da crise no Brasil. Nesta semana surgiram os números de venda de carros referente ao mês de janeiro, os primeiros 10 dias superaram o mesmo do ano passado. Janeiro de 2008, considerado o melhor janeiro da história na indústria automobilística brasileiro, vendeu 217 mil unidades de carros novos. Neste janeiro, onde o setor usa a crise para demitir e pedir redução de salários, a previsão é fechar com 200 mil unidades vendidas, a segunda melhor da história.
Dia 02 de fevereiro
Anotem na agenda: na próxima segunda-feira, dia 02 de fevereiro, às 9h30, começam as sessões da Câmara de Vereadores na nova legislatura. Estamos trabalhando nestes dias, ouvindo vários setores e preparando o início do nosso trabalho. É importante que a população acompanhe o trabalho desde o início, só assim teremos força para vencer os obstáculos que surgirão.
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por Nilton Bobato Tentei fugir do tema “novo presidente dos Estados Unidos”, confesso que me incomoda o oba oba da imprensa mundial com Obama e