Capitalismo sem memória?
Por Nilton Bobato
O ministro Carlos Lupi, que se transformou no mais novo alvo da grande mídia nacional (junto com o Tarso Genro), atacou durante a semana as grandes metalúrgicas nacionais que ao primeiro sopro da crise financeira no Brasil demitem e ameaçam com redução de salário para manutenção de empregos.
A revista Isto É traz nesta semana uma matéria interessante com o título “Capitalismo sem memória”, onde mostra com dados do IBGE que o ministro tem razão (Lula já havia dito isto bem antes). As demissões não tem outro objetivo que não seja o da manutenção das margens de lucro destas grandes empresas e dane-se se isso vai enterrar o Brasil numa crise onde todos sairão perdendo, inclusive eles.
A velha cegueira da elite nacional se reapresenta com muita força ao primeiro sinal de que precisam colaborar com a nação, ganhando um pouco menos.
Os números do IBGE apresentados pela revista são transparentes por si só. Em 1990, um trabalhador produzia 100 unidades de um determinado produto, hoje este mesmo trabalhador produz 213 com o mesmo tempo trabalhado (é a mais valia de Marx no seu apogeu). Com este aumento de produção per capita, a participação da massa salarial no PIB que em 90 era de 45% para os empregados caiu para 36% hoje, enquanto os lucros cresceram de 33% para 43%. E os impostos que eles tanto reclamam subiu apenas de 15% para 17%. Ora bolas, quem ganhou dinheiro nestes 18 anos?
O aquecimento recorde da economia brasileira registrada nos anos 2006, 2007 e até setembro de 2008, fez com que estas empresas registrassem lucros jamais vistos na história do capitalismo nacional. Com o aumento da produtividade dos trabalhadores, os empresários ganharam dinheiro como nunca.
Ou seja, há bastante gordura em algumas carteiras que poderiam ser usadas agora para evitar que o país caia em recessão. A FIESP, patrocinadora da cegueira capitalista brasileira, precisa aprender uma regra simples do capitalismo: pessoas trabalhando, significa dinheiro circulando, que significa gente comprando e que significa lucros voltando para eles mesmos. Abrir mão de um pouco dos lucros agora pode fazer com que voltem a ganhar em médio prazo.
Ou será que a falta de memória do capitalismo nacional tem outro objetivo? Será que eles imaginam que ajudando o país a achar mais rápido o caminho da recessão frustrarão os planos de Lula para 2010 e finalmente se verão livres dos sapos barbudos que colocaram este país no rumo do desenvolvimento, apesar de não ser do meio deles?
CUBA
Neste sábado tive o prazer de tomar um café da manhã com os representantes da Associação Cultural José Martí, dirigida pela professora cubana-curitibana Teresita. A Associação trouxe para Foz uma Mostra de documentários cubanos que comemora os 50 anos da revolução da ilha caribenha, que salvou aquele pequeno país de destino como os do Haiti, que tem o heróico legado para a humanidade de provar que é possível resistir aos EUA. Uma pequena ilha, seu comandante e seu povo que resiste bravamente por 50 anos à propaganda, às armas e aos embargos do gigante do norte. Un viva a Cuba.
Dois cubanos vieram da ilha especialmente para acompanhar a Mostra e debater com os iguaçuenses, entre eles o dr. Armando, um médico e professor da cadeira de otorrino da Universidade Cubana. É contagiante ver o entusiasmo deste profissional em divulgar sua profissão e defender que a medicina não deve estar a disposição do lucro e sim em defesa da vida.
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Por Nilton Bobato O ministro Carlos Lupi, que se transformou no mais novo alvo da grande mídia nacional (junto com o Tarso Genro), atacou durante