Uma vitória de Pirro
por Nilton Bobato
Antes de iniciar este artigo, quero salientar que a reeleição do vereador Carlos Juliano Budel (PSDB) para presidir o legislativo iguaçuense, pelo terceiro mandato consecutivo, foi um ato legal e dentro dos limites da democracia, portanto reconheço o resultado e assim o respeitarei no decorrer da minha ação como vereador.
No entanto, dentro destes mesmos limites democráticos, é preciso ressaltar que tal reeleição significa um atraso gigantesco para o processo político de Foz do Iguaçu e uma afronta ao desejo da maioria da população que renovou 60% das cadeiras do legislativo. A maioria dos vereadores não entendeu o recado vindo das urnas.
Estamos criando um Aníbal Khury municipal, que enquanto viveu transformou a Assembléia Legislativa do Paraná no seu império particular. Usando sem pudor algum os instrumentos ditos legais e a estrutura da Casa de Leis, Khury sempre encontrava deputados dispostos a usufruir desta estrutura e com ela construía constantes maiorias que eram usadas como arma para colocar contra a parede qualquer governador que passasse pelo Palácio do Iguaçu. Isto foi nefasto para o processo político paranaense, que até hoje encontra dificuldades gigantescas para se libertar destes vícios, basta ver os constantes escândalos que atingem a casa legislativa do nosso Estado.
Os elementos em Foz do Iguaçu são muito parecidos. Budel construiu uma máquina de poder que só ele tem controle e usa desta estrutura para construir suas maiorias, contando sempre com vereadores ávidos por terem poder de “negociação” com o prefeito.
Vão sempre usar o argumento da independência do legislativo. Louvável, se fosse verdadeiro. O problema é que estas maiorias não são construídas para discordarem do executivo nos momentos que forem necessários, fiscalizar o prefeito ou apoiá-lo quando ele tiver razão. Estas maiorias são construídas para colocarem o prefeito contra a parede e ceder às “reivindicações” apresentadas. Basta avaliar todos os momentos de confronto na gestão passada. Todas as discordâncias existentes desapareciam ou voltavam conforme eram efetivadas nomeações ou exonerações no Órgão Oficial.
Isso, tem garantido o prefeito, que não voltará a acontecer nesta gestão. O governo será construído pelos grupos políticos e vereadores que têm compromisso com a gestão municipal e ajudam a construí-la, independente de maioria no legislativo. A Câmara de Vereadores será tratada como determina a Lei, com a devida independência de poderes. Claro que deve haver espaço para negociação política, mas ela nunca pode ser baseada na ameaça.
Muitos me perguntam como nós, com seis vereadores, só conseguimos o apoio de mais um e não chegamos ao oitavo voto, tendo o apoio da atual gestão municipal. A resposta é muito simples: este grupo optou por fazer política dentro dos limites que o termo permite. A negociação para este oitavo vereador exigia mais que os limites estabelecidos pelo nosso grupo político.
Tentamos de todas as maneiras (dentro destes limites) construir esta maioria, em nome da renovação da forma de fazer política em nossa cidade. Não fomos vitoriosos, como disse acima, a maioria não entendeu o recado das urnas e apostou nas velhas formas de conduzir o processo na Câmara.
Perdemos a eleição da Mesa Diretora por um voto e somos minoria em todas as comissões permanentes da Casa também por um voto, mas saímos do processo unidos e de cabeça erguida, convictos de que representamos o anseio da maioria da população. Somos um grupo de sete vereadores, dos quais seis em primeiro mandato e a sétima, a vereadora mais votada da história da cidade por dois mandatos consecutivos. Este grupo vai lutar pela cidade, entre estas lutas, estará, sem dúvida, a economia de dinheiro público na Câmara Municipal e fazer com que o legislativo cumpra o papel de debater os problemas locais.
Quem comemora a vitória da eleição para a Mesa Diretora e a concentração de um único ponto de vista nas comissões permanentes, comemora uma vitória de Pirro.
Estamos prontos para defender esta cidade e vamos defendê-la com garra e coragem. Se à custa desta maioria impedirem projetos importantes para Foz, denunciaremos. Se cumprirem os boatos de achaque ao prefeito, resistiremos. Somos sete vozes e elas serão usadas com muita força para o bem desta cidade.
Como já disseram Chico Buarque e Pablo Milanês: “a história é um carro alegre cheio de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue”.
5 Comentários em Uma vitória de Pirro
Luis Antônio - Cebola
03/01/2009Infelizmente o discurso continua sendo diferente da prática. Todo aquele alarde, furor da campanha, se esvaiu em poucos minutos de mandato. Mas o povo está atento. Força amigo. Um abraço.
Osmar José da Silva
05/01/2009Concordo com nosso amigo " Cebola "! Realmente alguns minutos de mandato fez com que a esperança da mudança, tornasse um desejo vazio! Mas vamos lá "Camarada", isso e só o inicio, ainda há soldados prontos para a luta, precisando apenas de Norte. Um abraço.
Noraldino Santos Nascimento
10/01/2009Intelectuais pósmodernos (com hífen ou sem? O que diz a nova regra?), pois bem... os pós-modernos têm dito que a sociedade hoje não aceita mais interpretações sociais idealizadas por Marx ou marxistas. No entanto, a verdade cabível para o que se vê é que essas estruturas que controlam a sociedade apenas usam de artífices "legais" e "transparentes", não porque o sejam, mas por razões de conveniência pessoal. Marx continua tendo razão. E o pior é que para as mentes menos atentas, tudo está de acordo com as regras do estado democrático e de direito. Mas, caro Bobato, o que queremos agora é ver você atuando firme, além dos projetos transformadores que trará, não poderás deixar o Paulo ceder às chantagens de vereadores oposicionistas. Que se faça tudo nos limites, não da legalidade (nem sempre ela é moral), mas da ética. Feliz 2009.
luiz henrique
11/01/2009Quero acreditar apenas que o grupo de vereadores que reelegeu Carlos Budel à presidência da Câmara talvez não entendeu mesmo o recado da população. Mas, me parece que, para alguns, o cidadão (e eleitor) não tem valor nas quadro paredes da velha política e no mundo da negociata. Abraço.
Gilberto Harthman
16/01/2009E quem imaginou que seria fácil. se enganou!!!!!!! Mas estamos unidos e cada vez com mais força..... o povo esta atento e iremos fiscalizar juntos... força sempre!!!!!!!!