Uma vergonha esclarecedora
Opinião

Uma vergonha esclarecedora

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por Nilton Bobato

A história política brasileira, infelizmente, é recheada de escândalos, proselitismos, festivais privados de gastanças do dinheiro público e festas que transformam o público em privado, mas nenhum, com certeza, é tão esclarecedor do perfil político nacional como a farra das passagens aéreas.
Ele não é esclarecedor pelo fato de vir à tona mais um festival de gastança privada às custas do dinheiro público, é esclarecedor pela resposta dada à população pelos congressistas. Um festim revelador de comportamentos, de como boa parte dos políticos nacionais compreendem o próprio cargo para o qual foram eleitos.
Não que não soubéssemos que é assim, mas é chocante, é indignante ouvir um deputado, sem nenhum pudor, querer que a população resolva como ele irá levar sua filha para passar o aniversário em Brasília, ou pior ainda, como outro fará para manter seu casamento sem as passagens dadas graciosamente pela população, e tantos outros depoimentos.
É absurdo, é vergonhoso ver um monte de deputados achando normal que todos os brasileiros paguem viagens de turismo para sua família ao exterior. É triste ver parlamentares considerados reservas morais da política deste país afundados na lama da benesse fácil.
É estarrecedor comprovar que a maior parte dos políticos brasileiros ocupa cargos para defender antes de qualquer coisa seus próprios interesses, se acham donos dos cargos que ocupam, acham que a população está aí mesmo para sustentar suas benesses, suas necessidades pessoais.
Se um por um lado o mais novo escândalo da vida nacional é revelador deste triste comportamento, por outro estas cenas podem servir como reflexão profunda sobre o nosso modelo eleitoral, personalista, sem controle, caro e principalmente na qualidade do voto que digitamos nas urnas a cada eleição.
Também devemos refletir sobre os custos de manutenção dos três poderes nacionais (não é só o legislativo que consome dinheiro em mordomias, os poderes executivo e judiciário – principalmente nas instâncias superiores – também estão repletos de maus exemplos). Várias coisas neste país não podem continuar sendo consideradas normais.
Creio também que devemos debater seriamente, provocar um debate nacional, sobre o papel do Senado Federal (cujos escândalos foram abafados pela farra das passagens). É uma casa sem utilidade para a democracia e muito cara para os cofres públicos (não pode ser normal para atender 84 senadores, 10 mil funcionários). O país poderia extinguir o sistema bicameral, manter somente a Câmara dos Deputados. Economizaria quase R$ 2 bilhões por ano e teria maior celeridade nas decisões legislativas.
Este é um momento que pode ser riquíssimo para o debate de questões fundamentais para o futuro de nossa democracia (que aliás, é graças aos avanços do controle popular, de nossa democracia que estes escândalos vêm à tona – antes isso ficava escondido entre quatro paredes).
No cabe a nós vamos continuar fazendo este debate na Câmara Municipal, nas reuniões que promovermos e que participarmos, neste espaço eletrônico e em todos as oportunidades que tivermos.




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