Nilton Bobato lança seu mais novo livro “Prosa de Estrada”
Livro retrata a vida, efêmera e homogênea, dos seres transeuntes do acaso, ou como diz o prefácio assinado por Tieltz, de vidas “à deriva”
O escritor Nilton Bobato lança seu mais novo livro “Prosa de Estrada”, que como o próprio nome sugere, foi escrito ao sabor das andanças pela vida, nos locais de parada em cada estação, nas viagens à Brasília, nos ônibus, nos vários destinos provocados por sua atuação política e literária. O livro, composto por 21 contos, sucede a obra do mesmo gênero “Prosa de Sacada”, e será lançado em Foz do Iguaçu, no dia 17/09, às 18h30, na Fundação Cultural.
Para o escritor, a narrativa é construída sem pretensões técnicas ou categóricas. O livro lançado pela R&F editora de Goiânia - GO, está predestinado a contar. “Prosa de Estrada é uma coletânea de contos sem compromissos com a temporalidade, com o espaço ou com temáticas, até mesmo sem compromissos com qualquer formato literário, quer apenas narrar histórias, prosear”.
“Prosa de Estrada” atravessará os limites da fronteira e também será lançado
Prosa de Estrada
Com autoridade sobre o universo literário e percepção aguçada, o psicólogo Mauro Tietz, desvelou no prefácio o implícito nos contos do escritor, cujo olhar repousa no cotidiano autômato. “Talvez aí resida a qualidade da obra de Nilton Bobato: retratar a vida de parcela – se não a maioria – dos que estão dispersos na malha social. Os contos mostram seres que não alcançam as dimensões da sua própria condição ou mesmo da avalanche desoladora de possíveis soluções para explicar nosso tempo medíocre”.
As inquietações da contemporaneidade estão estampadas ao longo do livro de Nilton Bobato, simbolizadas, por exemplo, em um trecho do conto “Aniversário”. “Onde nós falhamos? Ou será que não fomos nós que falhamos? Será que o ser humano é este traste mesmo, irrecuperável? Será o tal capitalismo selvagem que leva as pessoas a serem tão estúpidas? O que eles chamam de competitividade? Que tristeza, meu amor. Você que é feliz”.
Nos contos de Nilton Bobato, a rotina é dilapidada e revela novos sentidos, como em “A Barbearia”. “O homem sentado, com a cabeça deitada para trás horizontalmente ao corpo, apoiada por um suporte colocado na cadeira, a jugular completamente submissa ao lento deslizar da navalha e à mão do barbeiro. Sente-se como o tronco sendo
esculpido pelas mãos ágeis do artesão, indefeso, entregue à sua vontade. “Este cidadão pode fazer o que quiser comigo. E se esta navalha escorregar e cortar minha garganta? Ele pode dizer que foi apenas um acidente”.
A escritora e editora, Izaura Franco, registrou sua impressão na orelha do livro, apresentando Nilton Bobato ao lado de escritores renomados como Fernando Sabino. “Digno de figurar entre os grandes nomes da literatura, o escritor Nilton Bobato nos lembra Fernando Sabino em o seu “O Homem Nu”, capaz de, com humor, nos entreter e divertir com uma situação que qualquer um estaria chorando, não fosse ficção”.
Sobre o autor
Nilton Bobato, nascido em 1967, reside em Foz do Iguaçu, no Paraná, desde 1980, e esta região da tríplice fronteira, seus conflitos, sonhos e personagens, seu encontro de tragédias e vitórias, constrói o cenário principal de seus contos, crônicas e poemas. Professor de língua portuguesa, é membro do Colegiado do Livro, Leitura e Literatura e do Conselho Nacional de Política Cultural (2010-2012). É vereador em Foz do Iguaçu pelo PCdoB (2009-2012) e autor dos livros RISOS DA FRONTEIRA (2003), PRATO FEITO (2005), PROSA DE SACADA (2005), SOBREMESA (2008) E UM BRINDE A TRÊS AMIGOS (2010). Em 2006, recebeu menção honrosa do Concurso Nacional de Poesias “Helena Kolody” com o poema “O MURO E O CORPO”. Em 2007, foi o único brasileiro a integrar a antologia latino-americana de poesias “POETAS DE CARA AL SIGLO”, com autores de 9 países.

Deixe seu comentário
Livro retrata a vida, efêmera e homogênea, dos seres transeuntes do acaso, ou como diz o prefácio assinado por Tieltz, de