Joane Vilela: a educação emancipadora
Fonte: blog do Walter Sorrentino www.waltersorrentino.com.br
com Luiz Henrique Dias da Silva
Há um cometa brilhante no firmamento político de Foz de Iguaçu e do Paraná. É Joane Vilela, secretária de educação do município, que levou o Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica), no município de Foz do Iguaçu de 4,2 para 6,2 em 2009. Ela é uma pessoa com quem dá gosto conviver. Joane integra a direção estadual do Paraná, do PCdoB, e diz: “vibro com a possibilidade de um partido que dialogue com a sociedade, que participe da vida do brasileiro, que consiga implementar as mudanças necessárias”. Partilho a alegria desta entrevista com o leitor, graças à boa vontade dela e do amigo Luiz Henrique Dias.
Joane Vilela: a secretária da educação e da cidade.
* Por: Luiz Henrique Dias
Quando, em São Paulo, Walter Sorrentino passou-me a tarefa de entrevistar a Secretária Municipal de Educação de Foz do Iguaçu, Joane Vilela, fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupado. Feliz pela confiança de poder contribuir ao blog de um dos nomes mais expressivos de nosso Partido, e preocupado pelo medo de cair na arriscadíssima armadilha da parcialidade, pois somos eu e a Joane camaradas de Partido aqui em Foz, membros da Executiva e ela é a Secretária de Educação da minha cidade. Uma cidade que construiu, nos últimos anos, uma rede de ensino consistente, efetiva e com visão de futuro. Assim, mais que um camarada, sou um admirador do trabalho da Secretária Joane e de toda sua equipe.
E toda essa competência resultou em um trabalho danado para conseguir a entrevista que segue abaixo. Foram ligações, tentativas de encontros rápidos, viagens lado-a-lado, mas com questões diversas a resolver. Quando eu achava impossível conciliar as agendas para conseguir respostas às perguntas e poder, assim, dividir isso com os leitores do blog do Walter, eu chego ao meu escritório, certa manhã, e sou presenteado com um email da Joane.
E aí ficou fácil.
Ela respondeu as perguntas com admirável simplicidade e formidável precisão no pensamento. Mostrou delicadeza ao redesenhar em palavras sua trajetória e pulso firme e coeso ao falar de Políticas Públicas e da Educação no Brasil.
Editando agora a entrevista, aproveitei para conhecer um pouco da história dessa pessoa que conheço há menos de três anos, mas já admiro como se fosse uma colega de militância de décadas.
Boa leitura!
Joane Vilela
Blog: Como você vê a Educação no Brasil e seus avanços nos últimos 8 anos?
Joane Vilela: Precisamos relembrar o período em que o Ministério da Educação e as Secretarias de Educação dos Estados se comprometeram abertamente com empréstimos e orientações do Banco Mundial para o desenvolvimento dos países pobres. A intelectualidade, nessa época, divulgava amplamente os Parâmetros Curriculares Nacionais; o neoliberalismo em suas propostas educacionais causou enormes danos, ainda hoje os princípios dessa magia exercem influência em alguns educadores.
Felizmente, surgem artigos e políticas criticando esse período na história da educação do Brasil.
Nos últimos anos, embora com algumas contradições, o Plano de Desenvolvimento da Educação apresenta uma enorme gama de programas educacionais que têm impactos positivos, o sistema de avaliação educacional tem indicadores de qualidade, tem metas.
A ampliação de atendimentos em todas as faixas etárias também é algo que precisa ser comemorado, a universalização do Ensino Fundamental, o aumento no atendimento nas creches e pré-escolas, a criação de programas como Pró-infância que prevê a construção de novas unidades para atendimento às crianças de 0 a 5 anos, a realização da Conferência Nacional da Educação, o aumento na escolarização do professor, a preocupação com a formação inicial e continuada dele que passa a ser uma questão de estado, a criação do FUNDEF (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério) e sua posterior transformação em FUNDEB, ampliando os recursos para toda a Educação Básica são questões que merecem destaque.
Ainda temos desafios amplos como a política de valorização dos profissionais da educação. A aprovação da Lei que institui o Piso Salarial do Professor é um avanço, mas os municípios e estados precisam de um orçamento maior para investir, para pensar em efetivas melhorias salariais. Também acredito que não podemos desistir de erradicar o analfabetismo no Brasil, atualmente existem Programas como Brasil Alfabetizado, mas precisa ser ampliado ou reestruturado para que brevemente possamos comemorar esse feito histórico. Atualmente tramita no Congresso a Lei para criação do novo Plano Nacional da Educação que apresenta metas mais sucintas, mas também precisa ser amplamente discutido.
Blog: Qual sua visão a respeito da Educação em Foz do Iguaçu?
Joane Vilela: Foz do Iguaçu ainda tem desafios a superar, precisamos de um amplo diálogo entre os diversos níveis, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior; precisamos que a educação seja a agenda principal do município, de maneira que consigamos unir esforços em projetos amplos como o de erradicar o analfabetismo. O índice apresentado aqui é inferior a outros municípios, mas ainda existe e acredito que todos os iguaçuenses gostariam de comemorar um índice como este.
Acredito que devemos nos unir no sentido de buscar a ampliação da escolarização dos munícipes, não basta criarmos condições para que as crianças ingressem no ensino fundamental, é preciso que os jovens permaneçam no ensino médio e consigam concluir o ensino superior. Esse é um desafio de grande amplitude e compete a todos nós.
Também precisamos avançar no sentido de permitir um amplo diálogo com a sociedade, seja na participação no Conselho Municipal da Educação, nos Conselhos Escolares, na criação do Plano Municipal da Educação.
Em relação aos avanços na Rede Municipal, podemos destacar a redução no índice de evasão: em 2001 tivemos 606 alunos evadidos, num percentual de 2,57%, no ano de 2010 somente 10 alunos evadiram, totalizando um percentual de 0,05%.
A redução no índice de reprovação também merece destaque, em 2006, 3.073 alunos reprovaram e em 2007 foram 2.953 crianças que precisaram repetir o ano letivo.
No ano de 2004 a reprovação foi de 15% e em 2009 o índice diminuiu para 3,2%.
O Ideb (índice de desenvolvimento da educação básica), no município de Foz do Iguaçu foi de 4,2 e passou para 6,2 em 2009. Para que esse índice fosse aumentado, o município realizou um Plano de estudos individualizados ou Plano de intervenção Pedagógica, ampliando tempo e oportunidades educativas, inclusive nos finais de semana.
O município também investiu em formação continuada através do Núcleo de Tecnologia Educacional, realizou em 2010 o primeiro Seminário Municipal da Educação; ampliou e reestruturou escolas e CMEIS; criou Centros de Convivência; instalou aparelhos de condicionadores de ar; instituiu equipe de fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais que realizou em 2010 mais de 60.000 atendimentos.
Também realiza as Olimpíadas do Saber, Arte e Esporte que oportuniza aos alunos a participação em 36 diferentes modalidades.
Todas as ações foram divididas em três eixos: melhora na infraestrutura; fortalecimento da ação pedagógica; fortalecimento da gestão escolar.
Blog: Quem é você?
Joane Vilela: Comecei minha vida profissional muito nova, ainda estava no segundo ano do Ensino Médio – Magistério. Naquela época a admissão não era por concurso público e eu procurei a Secretaria Municipal da Educação e, em uma conversa com a Secretária e ela me disse que havia uma vaga temporária para professora no Colégio Monsenhor Guilherme, um tradicional colégio, aqui em Foz do Iguaçu.
Na época, eu tinha 15 anos de idade e lembro-me de ter atuado em uma turma de primeira série, onde havia uma aluna de 14 anos, um aluno com 13 e outros dois com 12 anos. Este fato sempre me chamou a atenção dada à proximidade entre a idade dos alunos e da professora.
No ano seguinte, passei a atuar na Escola Municipal Getúlio Vargas, com 18 anos fui eleita supervisora escolar e aos 21 anos fui transferida para Escola Municipal Arnaldo Isidoro de Lima, quando esta deixou de pertencer à rede particular, mantida pela Itaipu Binacional e foi repassada ao município. Fui eleita diretora desta instituição duas vezes e deixei a escola quando resolvi ser mãe.
Na sequência atuei durante três meses na Escola Municipal Olimpio Rafain e fui transferida para Escola Municipal Três Bandeiras onde também fui eleita supervisora e posteriormente diretora. No ano 2005 fui convidada para trabalhar na Secretaria Municipal da Educação na Equipe de Ensino, no mesmo ano retornei para a Escola Municipal Três Bandeiras. Em 2006 voltei para a Secretaria da Educação e em 2007 trabalhei como Diretora de Departamento do Ensino Fundamental tendo sido nomeada Secretária da Educação em abril de 2008.
Gosto de narrar minha trajetória profissional porque ela deu-se na Rede Municipal de Ensino. Participei da primeira eleição para diretores das escolas municipais, estive em todos os movimentos paradistas, fiz os dois primeiros concursos públicos; enfim, acompanho as políticas educacionais do município de Foz do Iguaçu como sujeito da história, como partícipe.
Blog: Qual sua participação e história na vida partidária?
Joane Vilela: Minha participação é recente, filiei-me ao partido somente em 2004, acompanho a trajetória nacional do partido antes desse período, leio com entusiasmo a história do PCdoB de João Amazonas, Prestes, mas sobretudo vibro com a possibilidade de um partido que dialogue com a sociedade, que participe da vida do brasileiro, que consiga implementar as mudanças necessárias.
* Luiz Henrique Dias é dramaturgo e Secretário de Organização do PCdoB de Foz do Iguaçu.

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Fonte: blog do Walter Sorrentino www.waltersorrentino.com.br com Luiz Henrique Dias da Silva Há um cometa brilhante no firmamento político de Fo