Comunidade manifesta insatisfação em audiência sobre transporte coletivo
Audiência pública convocada pelo vereador Nilton Bobato teve grande participação popular e cobrança da comunidade para melhoria do transporte público
Alguns utilizaram a voz para expressar a insatisfação com o transporte público de Foz do Iguaçu, outros empunharam, por horas, cartazes com a reivindicação por mais linhas de ônibus e solicitando a manutenção dos cobradores do transporte coletivo. As manifestações ocorreram na noite de ontem, 13, durante a audiência pública para debater o sistema municipal de transporte coletivo e avaliar o projeto licitado em 2010, que institui o Consórcio Sorriso como responsável pela operacionalização do novo sistema.
Para o autor do requerimento n°033/2011, que convocou a audiência, o encontro teve seu objetivo cumprido, ao provocar o debate entre comunidade, poder público e empresas com vistas a suprir as necessidades do usuário do sistema de transporte coletivo. “Este exercício é fundamental para a construção de nossa cidade, em todos os aspectos, no caso do sistema de transporte, a falta do debate e de comunicação com a comunidade foi um grande erro cometido na implantação do novo sistema em janeiro”, disse.
Participaram da audiência pública o Diretor Superintendente do Foztrans, Edson Stumpf, o Presidente do Sindicato dos trabalhadores em transportes rodoviários, Dilto Vitorassi, Diretor da Acifi, Roni Carlos Temp, Diretor da Logitrans, Antônio Carlos Marchezetti, do Presidente do Sindihoteis, Carlos Silva, o Diretor de Trânsito do Foztrans, Aly Safad e o Diretor de Desenvolvimento de Transporte Público do Foztrans, Fabiano Mayer.
Proposta
Na abertura da audiência, o Diretor Superintendente do Fozhabita, Edson Stumpf e Antonio Marchezetti, engenheiro da Logitrans – empresa responsável pelo projeto básico do novo sistema – expuseram o planejamento em etapas para implantação das adequações a serem realizadas no projeto original. Segundo Stumpf, após a tentativa frustrada de implantação do novo projeto, o Foztrans estabeleceu junto à Logitrans, um planejamento dividido em quatro etapas que precederá a implantação do novo sistema. A última etapa será a divulgação maciça com material de divulgação das novas linhas previstas para as regiões Eixo-norte – sul, região do Morumbi, eixo da Avenida Paraná e AKLP, eixo da Rodovia das Cataratas e região de Três Lagoas. Stumpf afirmou que as mudanças para o bairro Três Lagoas serão realizadas após a construção do terminal no local.
Stumpf explicou que a audiência pública integra a última etapa do planejamento para implantação das adequações do sistema de transporte. “Esta audiência dá início à terceira fase do planejamento, que é o debate com a comunidade, quando serão realizadas reuniões em várias regiões, para ouvir a população sobre o transporte coletivo”, disse.
Marchezetti apresentou o projeto básico elaborado pela Logitrans – empresa de logística e engenharia de transportes – operacionalizado durante 15 dias em janeiro pelo Consórcio Sorriso e que gerou transtornos à população. No projeto, o engenheiro apontou que as alterações nos itinerários e no modelo de transporte em geral foram baseadas em consulta popular e pesquisa com aproximadamente 12 mil usuários e com a utilização de softwares especiais que diagnosticaram entre outros fatores, os horários de pico, as linhas mais utilizadas pelas pessoas, e a distância entre trajetos. Marchezetti em reunião na Câmara, no mês de fevereiro, havia creditado as falhas do novo sistema às operadoras do transporte coletivo.
Dúvida
Após a apresentação das entidades que compuseram a mesa, cerca de 20 pessoas utilizaram a tribuna e apontaram as falhas do sistema de transporte coletivo na cidade e os erros cometidos na tentativa de implantação do novo sistema em janeiro. Algumas lideranças comunitárias levantaram dúvidas quanto à realização da pesquisa do Logitrans realizada com 12 mil usuários, e relataram que o sistema implantado reduziu 15% da frota de veículos, com o interesse de diminuir os gastos das empresas e otimizar o lucro.
Para o estudante de gestão pública do PTI, Luiz Henrique Dias da Silva, as empresas que operam o transporte coletivo da cidade devem deixar de tratar o usuário do transporte coletivo enquanto clientes e passar a tratá-lo enquanto cidadão. “As empresas visam lucro e não tem a concepção de que o usuário é um cidadão que paga seus impostos e tem direito à qualidade da prestação do serviço público de transporte”.



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