O salão do livro: dez dias que valeram o ano
Literatura

O salão do livro: dez dias que valeram o ano

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por Nilton Bobato

Terminou o Salão do Livro e já nos deixa saudades, saudades de viver um sonho onde o mais importante é a cultura, é a literatura, é a música. Isso já foi repetido e dito várias vezes, mas não custa reforçar: eventos assim vão ajudar a construir nossa identidade, melhorar a auto-estima da cidade e fazer com que as pessoas pensem um pouco mais sobre a importância do livro e da troca de saberes culturais.
Poucas pessoas debatem a história deste evento, mas ele é conseqüência de um trabalho iniciado em 2003 pela Academia de Letras do Extremo-Oeste do Paraná, na época recém-criada. Outras tentativas de realização de feiras de livros já haviam ocorrido em Foz do Iguaçu, não vamos citá-las para não ser injusto com ninguém. Até nós na época do DCE da Unioeste fizemos uma feira de cultura. Mas nenhuma destas experiências, infelizmente, conseguiu ter a seqüência conquistada com a fundação da Academia de Letras do Extremo-Oeste em 2003, herdando parte dos membros e da experiência da Academia de Cultura (que estava fragilizada).
Com a Academia de Letras realizamos o I Encontro dos Escritores do Extremo-Oeste em 2003, na Fundação Cultural, com a presença de Cristóvão Tezza (então se preparando para ser o grande nome nacional da literatura) e além dos autores locais. Apoiado pela Secretaria Estadual de Cultura, o evento originou um outro chamado Literatura da Fronteira na Capital, que pode retornar ainda este ano.
O Encontro foi repetido em 2004, 2005 e 2006 (com as participações de Alice Ruiz, Domingos Pellegrini e Miguel Sanches Neto, além de várias outras atrações locais e da tríplice fronteira). Os membros da Academia foram fundamentais para a realização da Feira do Livro em 2005, numa promoção do CEAC e da Fundação Cultural.
Sem mais forças para realizar o Encontro dos Escritores, em 2007 surgiu a proposta de juntarmos nossa experiência, com a experiência dos livreiros, mais o Instituto, a Itaipu Binacional e a Fundação Cultural para a realização da Feira Internacional, hoje Salão Internacional do Livro. Este ano agregou-se ao grupo a Secretaria de Estado da Cultura Esta seqüência de eventos começa a criar raízes, a construir uma identidade e com amplos setores da cidade participando.

PARA VALER O ANO
Só por isso ela seria importante, só por isso ela seria fundamental, mas não é disso que quero falar neste espaço. Quero falar da minha maior paixão, o livro, a literatura e a convivência com autores e livreiros (tive a oportunidade de conhecer as angústias e as reivindicações destes empresários do livro) nestes dias de Salão do Livro. Assim como as anteriores, muitas histórias e experiências ficaram.
Conviver com meus colegas de literatura durante 10 dias (participei todos os dias no final da tarde e à noite), é sempre algo extraordinário e nos faz sempre despertar o anseio criativo. Encontrar novos autores locais como o Adriano Violante, a Elisa e o Nader Ali Jezzine, prova que o sangue continua pulsando nas veias desta fronteira.
Reencontrar o Cristovão Tezza na abertura, foi fantástico, hoje como o mais premiado autor nacional. Conhecer o deputado Marcelo Almeida e sua paixão por livros, sem palavras. Conhecer o talento e conviver durante os dias do Salão com uma figura fantástica chamada Eduardo Cáffaro (o Milton Nascimento gravará uma música dele daqui uns dias e ele estará se apresentando na Flip), cantor e compositor lírico, cujo talento que não pode continuar escondido em São Caetano do Sul.
Na semana ainda pudemos conviver com figuras impressionantes como a simpatia e a inteligência de Pedro Bandeira, o humor ácido e a amizade de Fabrício Carpinejar, a razão de Tão Gomes Pinto, o prazer de reencontrar esta pessoa maravilhosa chamada Alice Ruiz após cinco anos, a ética de Eugênio Bucci, a simpatia e a inteligência de Lira Neto e o absurdo de rever, após 17 anos, meu grande amigo Carlos Lopes (exportado do Rio de Janeiro para cá para apresentar o seu Segredo J e sua coragem de fazer rock’n’roll acústico).
Se o evento valeu o ano, no meio de tudo isso teve um dia que valeu os 10 dias do Salão. Conhecer pessoalmente e conviver com Ignácio Loyola Brandão (um dos maiores sucessos de público do Salão). A paixão com que este cidadão trata a palavra, aos 72 anos de idade, é algo contagiante. A esperança que ele transmite na sua fala, na defesa de projetos culturais, na defesa da literatura, é algo para marcar, guardar e pensar um pouco.
Valeu Sueli, Paulino, Joel, Juca, Rogério, Marcelo, Medina, Joãozinho, Mazé, Marisete, Paulinho, Shadia, Kelly, Érica, Abilene e todos aqueles que garantiram a execução do Salão do Livro. Valeu aos livreiros, todos se dedicaram para mostrar o melhor de si e garantir o principal ao Salão: a exposição dos livros. Fechando as cortinas e reabrindo-as para 2010.




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