Cristina Delgado
Gente de Atitude

Cristina Delgado

...

Nossa primeira entrevistada do “Gente de Atitude” é uma mulher polivalente. Estamos falando de Cristina Delgado, Presidente do Sindicato dos bancários, Secretária Nacional da Mulher da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Vice-presidente da Federação dos bancários do Paraná, advogada e professora das Faculdades Unificadas de Foz do Iguaçu (UNIFOZ). Paulista de nascença, Cristina reside em Foz há 29 anos, tempo dedicado à luta dos trabalhadores, tanto dentro da sala de aula, enquanto professora, quanto nas ruas, enquanto sindicalista. Contrária a qualquer tipo de opressão, Cristina também é engajada na luta pela emancipação da mulher e acredita que a transformação da sociedade passa necessariamente pela igualdade de gênero.


Em que momento você sentiu a necessidade de atuar no movimento social?

Senti a necessidade de participar do movimento sindical bancário, no momento em que tive consciência da disparidade de armas nas lutas de negociação das condições do trabalho entre bancários e banqueiros, estes últimos sempre movidos pela ganância do lucro fácil e ao preço do sacrifício dos bancários e do desrespeito aos usuários dos bancos.

Qual era o contexto?

O contexto era o ano de 1984 e de uma categoria que se mobilizava para as greves durante as Campanhas Salariais. Particularmente, na Caixa Econômica Federal, lutávamos pelo direito de sermos reconhecidos como bancários, já que éramos tratados juridicamente pela nomenclatura excludente de “economiários”.

Como e quando surgiu o sindicato dos bancários em Foz do Iguaçu?

O Sindicato dos Bancários de Foz do Iguaçu e Região, surgiu em 21.11.1980 como Associação dos Bancários. Aos poucos foi se estabelecendo a sua representatividade foi rapidamente reconhecida. Já em 18.09.1981 a categoria votou pelo reconhecimento da entidade como Sindicato.

Qual é o atual cenário do sindicato em Foz, houve evolução no número de sindicalizados?

Sindicato dos Bancários de Foz do Iguaçu e Região: conta hoje com aproximadamente 600 sindicalizados, número que representa metade do que já tivemos há cerca de 20 anos. Tal decréscimo espelha os números nacionais, já que a categoria foi vítima da implementação da reforma bancária, em cujo bojo foi instituída a automação do serviço bancário, responsável pela demissão sistemática de bancários, de forma irresponsável por parte dos banqueiros e, em total desrespeito ao comando da Constituição Federal, que em seu artigo. 7º, inciso XXVII, reconhece que faz parte dos direitos sociais do brasileiro, a proteção em face da automação.


Quais foram as principais lutas do sindicato?

As primeiras lutas do Sindicato dos Bancários foram as Campanhas Salariais da década de 80 e a participação nas mobilizações pelas greves gerais dos trabalhadores.

Em Foz, quais as principais contribuições do Sindicato?

O Sindicato dos Bancários atua tanto na representação da categoria, quanto se reconhece e atua enquanto entidade cidadã.
Um exemplo de luta cidadã tem sido a atuação sindical pela aprovação e respeito à legislação que protege o direito do consumidor bancário. Historicamente temos estado ao lado do Poder Legislativo Municipal e dos órgãos de fiscalização, para que os bancos cumpram o limite de tempo de espera dos usuários em filas e coloquem à disposição da população o conforto necessário à manutenção da dignidade do cidadão e cidadã de Foz do Iguaçu (banheiros, segurança, etc.).
O Sindicato dos Bancários também se alia às lutas de outras categorias por melhores condições de trabalho, como por exemplo, a luta dos comerciários pelo direito de descanso aos domingos, que é tradicionalmente o dia a ser dedicado às práticas religiosas e convivência familiar; a luta dos professores por melhores condições de trabalho e salários, etc.

Como você avalia o movimento sindical atualmente?

A luta dos trabalhadores tem exigido dos dirigentes sindicais um esforço bem maior de qualificação, para que possamos atuar nas mesas de negociação, já que a mobilização das categorias tem se tornado cada vez mais difícil, por conta da ameaça do desemprego e pela sofisticação da pressão exercida pelos empregadores, municiados dos meios de comunicação e da inteligência maléfica da doutrina individualista do capitalismo.

Qual a importância da organização sindical?

O segmento sindical é e deve ser responsável pela defesa dos interesses dos trabalhadores e sua importância se dá na exata medida da opressão do patronato, que deve ser neutralizada pela força da união dos trabalhadores. Estes, por sua vez, precisam estar sendo coordenados por representantes lúcidos, capazes e determinados.

Há cerca de 5 anos começaram a surgir mais correntes sindicais no País, isso é positivo?

Tudo depende da intenção com que organizam tais correntes. Por vezes é necessário oxigenar o movimento com propostas novas e/ou retorno ao papel sindical, que porventura tenha se perdido nos meandros da história.

Você concorda com a tese de que a luta sindical acaba sendo apenas corporativista?

É inevitável que em nível de Sindicato, a preponderância das preocupações e atuações seja de representação da categoria. No entanto, na organização sindical existem momentos e instâncias próprias para se atuar na defesa de outros interesses, como o fazemos, quando defendendo o interesse das minorias, dos desempregados, quando atuamos na formação da compreensão da igualdade de gênero, etc.

Quais são os principais entraves para elevar a consciência do trabalhador?

O temor do desemprego, o excesso de compromissos profissionais dos trabalhadores (jornada de trabalho ampliada, cursos, reuniões, cumprimento de metas), acaba por limitar a disponibilidade do trabalhador para participar da agenda sindical.
A desinformação prestada pelos meios de comunicação a serviço do discurso capitalista também são fundamentais para obscurecer na mente do trabalhador a importância da união em torno das entidades sindicais.

Em meio à crise do capitalismo, qual é o papel da organização sindical, qual é o recado aos trabalhadores?

A crise é o nosso momento didático. Se não foi de outra forma, agora é o momento de sensibilizarmos os trabalhadores a lutar por uma organização social e econômica fundada na distribuição da renda, na solidariedade e na partilha. Em outras palavras: a humanidade compreenderá pela dor o significado e a grandeza da proposta socialista.




Deixe seu comentário

Nossa primeira entrevistada do “Gente de Atitude” é uma mulher polivalente. Estamos falando de Cristina Delgado, Presidente do Sindicato dos banc