Marisete Zanon: um ser estranho de tantas potencialidades
Ela se considera um ser estranho, com mania de limpeza, e que observa o cotidiano e faz dele sua obra prima através das artes plásticas e da poesia. É dessa forma que a artista Marisete Zanon exterioriza sensações e apreensões sobre o mundo. Com esta sensibilidade, Marisete conquistou o prêmio nacional do concurso Helena Kolody com a poesia “Mulher, Poeta Mulher”. Entre as obras da artista, figuram o livro de poesias “Um cordão de confissões”, nas artes plásticas, as obras “Medo” e “Tempo e movimento” revelam as singulares impressões da autora sobre a vida.
Também podemos encontrar seus escritos nos blogs www.entratomaumcafe.blogspot.com e www.estranhoseanormais.blogspot.com.
Quando e como foi que você descobriu o mundo das artes e da escrita?
Desde criança, 11, 12 anos, meu pai sempre levava umas revistinhas que tinham bonequinhas e roupinhas pra recortar, e aquilo foi um grande incentivo, pois como minha mãe era costureira, comecei a dar uma de estilista. Comecei a desenhar, participar de concursos nas escolas e isso foi evoluindo. Da pintura, fui à escrita, com 12 já escrevia poesias e recitava na escola, e também quando a família se reunia. Então, o incentivo partiu em casa e na escola. Porém, havia parado de escrever e retomei há uns 8 anos.
Quem são suas principais influências no processo de criação?
Na poesia, Mário Quintana e Carlos Drumond. Nas artes plásticas, Salvador Dalí. Mas eu não sigo o estilo de Dalí, o que eu gosto de fazer não é bem o surrealismo, mas eu o admiro, e ele me inspirou.
O que você tenta expressar através da arte?
Está tudo relacionado com sentimentos e cotidiano. É minha base tanto na arte plástica quanto na poesia.
Qual a importância da arte e da cultura para a sociedade?
A arte é importante, porque você transmite conhecimento e cultura às pessoas. Por exemplo, quando uma escola desenvolve a disciplina de arte, estimula os estudantes a buscar cada vez mais conhecimento e traz para outra realidade. Além disso, a arte permite a exteriorização do sentimento. Porque pra mim o que mais importa nas artes plásticas, é a permissão de exteriorizar os sentimentos. É uma válvula de escape. Acho que pra todo artista a arte plástica significa isso.
O incentivo à arte começa como?
Acho que começa em casa. Desde os 4, 5 anos, comprar material não tóxico as crianças. Eu fazia isso com meus filhos.
Quais as suas obras que você considera mais marcantes?
Você acha que a arte no País é elitizada, em relação ao acesso às artes plásticas?
O que eu penso é que está tão fácil divulgar o trabalho, o povo brasileiro acha que cultura é televisão. Então para divulgar e fazer com que as classes mais baixas fiquem por dentro do que está acontecendo, é um papel do próprio artista. Não culpo a sociedade, não culpo ninguém. Acredito que o artista deve estar onde o povo está. Sempre pensei assim, nunca fiquei esperando uma oportunidade, sempre corri atrás. Sempre batalhando.
E as instituições sociais como a escola, qual papel podem cumprir na popularização da cultura?
Eu acho que a escola tem a obrigação de incentivar e inserir a arte, cultura, musica.
Virada Água
Pegou as chaves do carro
Saiu sem rumo
Queria ter água nas veias
Queria ser água e correr mundo
Na bomba de combustível
deixou as lembranças
No bar da estrada comeu planos
No banheiro deixou o rosto no espelho
Acelerava partidas
As engrenagens girando ansiedade
Rodava sonhos
No porta-malas esquecimentos
Nos bancos solidão
Na encruzilhada a dúvida
No volante a decisão
Deixou o carro
Se foi com o vento
Transformou-se em nuvem
e virou chuva...
Marisete Zanon

2 Comentários em Marisete Zanon: um ser estranho de tantas potencialidades
Osvaldo Apolinar Duarte
20/06/2011Quero te dar os Parabéns, gosto muito dos teu trabalha, te admiro muito e de muito bom gosto, voce tem esse dom e sabe aproveitar, valeu Marizete. beijo saudades
Osvaldo Apolinar Duarte
20/06/2011Quero te dar os Parabéns, gosto muito dos teu trabalha, te admiro muito e de muito bom gosto, voce tem esse dom e sabe aproveitar, valeu Marizete. beijo saudades